Editorial — Revista Acústica e Vibrações nº 56

Autores

  • William D'Andrea Fonseca Universidade Federal de Santa Maria https://orcid.org/0000-0003-3439-5963
  • Ranny Loureiro Xavier Nascimento Michalski Universidade de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.55753/aev.v39e56.307

Palavras-chave:

AeV, Editorial

Resumo

É com especial satisfação que a Comissão Editorial da Revista Acústica & Vibrações apresenta ao público sua quinquagésima sexta edição (vol. 39), publicada em dezembro de 2024. Este número reafirma uma convicção editorial que tem orientado a revista ao longo dos anos: a acústica, quando tratada com rigor e sensibilidade, é simultaneamente ciência aplicada, cultura técnica e compromisso social. Entre paredes que separam vidas, estruturas que sustentam e vibram, cidades atravessadas por infraestrutura de grande escala e ambientes de trabalho que exigem prevenção, esta edição percorre o território amplo em que o som deixa de ser apenas fenômeno e passa a ser experiência, risco e projeto.

Os três artigos científicos que compõem o núcleo desta edição convergem em um ponto essencial: a necessidade de aproximar métricas e modelos daquilo que, na prática, afeta o usuário, o projetista e a sociedade. Em comum, eles enfatizam que desempenho não se resume ao atendimento mínimo, que estabilidade não se reduz a uma equação isolada e que políticas de controle de ruído não prosperam sem leitura histórica do conhecimento acumulado.

No primeiro artigo, Klippel Filho, Patrício e Tutikian investigam o desempenho de divisórias internas usualmente adotadas no Brasil e em Portugal, examinando-as sob a perspectiva do usuário diante do ruído de vizinhança. O estudo discute a distância que por vezes se instala entre descritores normativos de isolamento e o incômodo efetivamente percebido em situações realistas de uso. Ao evidenciar que o requisito mínimo de desempenho pode ser insuficiente para garantir conforto e privacidade acústica em cenários com maior energia sonora, o artigo contribui para um debate atual e necessário: a revisão crítica de parâmetros de projeto e de avaliação, sempre orientada pela experiência humana no ambiente construído.

O segundo artigo, de Fonseca e Melo, transita do espaço habitado para o domínio estrutural e aprofunda a discussão sobre análise modal e estabilidade em pilares de paredes finas. Ao contrastar abordagens pela Técnica do Meio Contínuo e pelo Método dos Elementos Finitos, o trabalho ilumina a relação delicada entre formulações, escolhas de elemento e a representação adequada dos modos que governam fenômenos de instabilidade. Trata-se de uma contribuição que dialoga com a engenharia em sua dimensão mais prática: modelar bem é decidir bem. Ao mesmo tempo, é um convite a compreender que vibração e estabilidade se informam mutuamente e que a coerência do modelo é, em última instância, um requisito de segurança.

O terceiro artigo, assinado por Oliveira e Oiticica, amplia a escala do debate e apresenta um panorama da produção científica sobre prevenção e controle do ruído aeronáutico no ambiente construído. A partir de uma leitura organizada da literatura, o texto identifica tendências, diretrizes recorrentes e lacunas, conectando estratégias de gestão do ruído a desafios de planejamento, regulamentação, mitigação e comunicação de risco. Ao tratar o ruído aeronáutico como problema técnico e urbano, o artigo reforça a importância de abordagens integradas, em que o ambiente construído não é mero receptor, mas parte ativa do sistema de controle.

Para além dos artigos, esta edição preserva um traço que tem se consolidado como identidade editorial: a oferta de conteúdos de apoio que ampliam o alcance formativo e informativo da revista, frequen- temente em múltiplas línguas, fortalecendo a circulação do conhecimento e a inclusão de diferentes comunidades.

Nos Encartes, destaca-se, em primeiro lugar, a seção de Resenhas de Livros (Book Reviews), disponibili- zada em português, inglês e espanhol. Nesta edição, o conjunto de quatro obras resenhadas compõe um mosaico particularmente expressivo das fronteiras contemporâneas da área: desde arranjos esféricos de microfones e processamento de sinais, passando por fundamentos e aplicações em microfones MEMS, até uma leitura abrangente de ruído, vibração e qualidade sonora no contexto veicular. Em tempos de produção científica acelerada, a resenha bem construída cumpre um papel nobre: orientar, contextualizar e abrir portas para leituras mais profundas.

Ainda nos encartes, a revista publica o material oficial do Dia Internacional da Conscientização sobre o Ruído (INAD Brasil 2024), também em versões multilíngues. Com foco no tema do ruído no trabalho e no eixo da prevenção, o encarte articula engenharia acústica, saúde ocupacional e educação, propondo diretrizes e estimulando ações continuadas ao longo do ano. A revista, ao acolher este conteúdo, reafirma que comunicar ciência é parte do enfrentamento do problema: o ruído é onipresente, cumulativo e, muitas vezes, naturalizado; por isso mesmo, precisa ser trazido ao centro do debate público com precisão técnica e linguagem acessível.

Na seção News & Reviews, a edição reúne duas contribuições complementares. A primeira apresenta o HBK 2255 com Building Acoustics Partner, em versões em português, inglês e espanhol, descrevendo uma solução instrumental voltada à prática de medições em acústica de edificações, com ênfase em fluxo de trabalho, integração entre dispositivos e facilidades de documentação e relatórios. Em uma área em que a confiabilidade do dado depende tanto do método quanto da execução em campo, a discussão sobre ferramentas e workflow é, em si, uma forma de elevar o padrão das medições.

A segunda contribuição traz o III Concurso Estudantil de Acústica Conrado Silva (CACS), registrando um momento emblemático de formação e renovação. Ao divulgar e valorizar iniciativas estudantis, a revista torna visível aquilo que sustenta o futuro da área: uma comunidade em que aprender, apresentar, discutir e receber retorno crítico faz parte da cultura. É também uma homenagem indireta ao legado de Conrado Silva, cuja influência permanece viva na curiosidade técnica e na seriedade com que novas gerações assumem problemas reais.

Por fim, a seção de Chamadas amplia o horizonte da edição ao oferecer um serviço direto à comunidade: uma lista organizada de 90 eventos de acústica pelo Brasil e pelo mundo (2024–2029), em português e inglês, contribuindo para o planejamento acadêmico e profissional. Somam-se a isso convites a encontros centrais do calendário: o Inter-Noise 2025, a ocorrer em São Paulo (SP), e o XVIII ENCAC e XIV ELACAC 2025, em São Carlos (SP), também com material em espanhol, reforçando a dimensão latino-americana do diálogo técnico. Complementarmente, a revista convida novas(os) associadas(os) a se juntarem à Sobrac, lembrando que a vitalidade de uma sociedade científica se mede não apenas por seus anais, mas por sua capacidade de agregar pessoas, projetos, ensino, pesquisa e ação institucional.

Ao longo destas páginas, a Revista Acústica & Vibrações reafirma seu compromisso com a difusão qualificada do conhecimento em acústica, vibrações e áreas correlatas, preservando o rigor do processo editorial e a abertura a conteúdos formativos, técnicos e comunitários. Agradecemos às autoras e aos autores pela confiança, às pareceristas e aos pareceristas pelo trabalho criterioso e generoso, e a todas as pessoas envolvidas na edição por tornarem possível mais um número que, simultaneamente, informa, inspira e provoca reflexão.

Que esta edição seja lida como se lê um bom projeto: com atenção aos detalhes, consciência do contexto e respeito pelo usuário final.

Aproveite a leitura!

Cordialmente,

Editores Revista Acústica & Vibrações n° 56, dezembro de 2024.

Traduções deste artigo

Editorial — Revista Acústica e Vibrações nº 56

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Publicado

30/dez/2025

Como Citar

FONSECA, W. D.; MICHALSKI, R. L. X. N. Editorial — Revista Acústica e Vibrações nº 56. Acústica e Vibrações, [S. l.], v. 39, n. 56, p. 3–8, 2024. DOI: 10.55753/aev.v39e56.307. Disponível em: https://revista.acustica.org.br/acustica/article/view/aev56_editorial. Acesso em: 2 jan. 2026.

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